No ano passado perto do Natal estava muito sensível ao consumismo exacerbado gerado em torno desta data. Acabei escrevendo um desabafo sobre esse incômodo que há alguns anos dezembro tem me provocado e que acabou se intensificando em Londres.

Logo após eu ter publicado meu texto “Espírito ou Consumo Natalino” vi um post da May East ¹ no Facebook, sobre um artigo escrito por ela para o jornal britânico Guardian, no qual ela ponderava um Natal que seria uma celebração cultural, espiritual e ecológica. Ela também mencionou que transformar o consumo no vilão, utilizando a culpa e encorajando o sacrifício não seria a melhor maneira de promover uma reflexão. Para que essa mudança de hábitos ocorra ela acredita que devemos apresentar uma sociedade que seja baseada no bem-estar, numa vida sustentável e no sentimento de pertencimento a uma comunidade.

May East também citou exemplos de como isso já vem acontecendo em alguns lugares, e como é valioso saber como os produtos são feitos e a origem dos materiais que os compõe.  Ela relembrou a importância de apreciar as habilidades que foram utilizadas para manufaturar os bens de consumo “resgatar estes valores é essencial para a vida moderna”.

Aonde eu quero chegar? Lendo a reflexão de May East e pensando nos meus posts, percebi que preciso ser mais positiva nos meus textos, menos apocalíptica. Pretendo continuar sustentando meus argumentos que criticam o estilo de vida de nossa sociedade contemporânea, contudo sendo mais gentil e encorajadora.

Meus posts, do meu ponto de vista, evidenciam minha indignação com o que estamos fazendo com o nosso planeta.  Este sentimento de indignação traduz-se no tom de reprovação que utilizo quando menciono a intervenção humana no planeta.  Paulo Freire crê que é preciso constatar realidade, observando-a de maneira curiosa, crítica e indócil, caso esta constatação provoque um sentimento de insatisfação, podemos intervir com o intuito de transformá-la.

Mas como escrever textos mais encorajadores e gentis, quando me sinto tão embravecida com o que observo? Como? Se por um lado eu já ouvi mais de uma vez que tons apocalípticos não funcionam na promoção de uma vida sustentável, por outro, eu sei que situações extremas levam as pessoas a mudar seus hábitos da noite para o dia.

Para acordar do sono profundo desta economia capitalista selvagem talvez sejam necessários sustos. No entanto, estou optando não esperar por estes sustos, ou por situações extremas, que já vem acontecendo ao redor do mundo, preciso continuar lutando e acreditando na educação, na prevenção e em um mundo melhor.  Eu, por exemplo, assim como muitos de vocês estou insatisfeita com a realidade em que me encontro, por isso estou intervindo na mesma.

Preciso ser a mudança que quero ver no mundo e sabendo que a violência também pode ocorrer por meio de palavras, não desejo que isso aconteça por meio dos meus textos. Portanto, a partir de agora, agradecida ao texto da May East que me despertou, pensarei nas pessoas que me inspiram, sendo elas líderes ou não, e serei menos apocalíptica nos meus posts e mais encorajadora.

Pensei também, dentro dos próximos 2 meses,  em criar um novo link no meu site para professores de escolas que precisam de ideias para inserir a sustentabilidade em suas aulas. Traduzirei as ideias dos recursos daqui de Londres, facilitando que elas sejam utilizadas por professores brasileiros. Gostaria de receber ideias e sugestões de aulas para serem compartilhadas. Quero me disponibilizar para contribuir com educadores que precisam de uma ajudinha nessa área.

¹ May East desenvolve trabalhos de âmbito internacional com o movimento de transculturalidadesustentabilidade e o movimento global das ecovilas. Wikipedia

Link do artigo de May East: http://tinyurl.com/m5y5al6