Queridos amigos,

Desde que cheguei em Londres há 1 ano e meio atrás entrei em contato com muitos projetos e pessoas inspiradoras. Claro que eu já conhecia pessoas incríveis no Brasil, pessoas essas que juntamente com o clima me fazem querer voltar para o país que eu amo tanto.

A vida aqui não tem sido um mar de rosas: o clima, empregos que o único propósito é o suporte financeiro de nossos projetos, o povo que como sabem não é caloroso como o de um país tropical etc. No entanto, parece que tive que sair do Brasil para realmente começar praticar de fato as coisas em que acredito.

No Brasil, eu trabalhava durante o dia em uma escola comum e a noite cursava pedagogia, ou seja, estava sempre ocupada e frequentemente cansada. O que faz todo sentido em um sistema econômico como o nosso, cujo objetivo é nos deixar cansados e sem energia para agirmos e mudarmos a realidade na qual vivemos. Na maioria dos casos as pessoas não têm nem energia para questionar e aceitam sua rotina como a única possível.

Enfim, algumas das coisas que tenho feito/mudado desde que cheguei incluem estar participando de um projeto chamado Eco-Schools, no qual visito escolas para checar projetos que têm feito para se tornarem mais sustentáveis. Conheci muitas escolas, profissionais e crianças bacanas nessas visitas. Como sabem também tive a oportunidade de fazer um curso de Ecologia Profunda no renomado Schumacher College e vivenciei um modelo exemplar de educação, além de sentir internamente a ecologia a qual o curso queria abordar.

Participei de um Crowdfunding ( Cadeira de rodas pro Washington) e acabei ajudando outros projetos também. Pretendo criar o meu o ano que vem e vou precisar da ajuda de todos. Ajudei a organizar a caminha pelo clima em Londres e em Sampa. Essas duas experiências (Crowdfunding + Organização de Protesto) me proporcionaram conhecer minha força e persistência, pois não é fácil viu?! Mas isso eu já sabia e eu NÃO VOU DESISTIR, essa é a razão de minha existência, a missão da minha vida: lutar por GAIA!

Nesse um ano também criei meu próprio site, um projeto a longo prazo que tenho curtido, pois treino minha escrita e reflexão crítica, e alguns de meus posts, apesar de terem sido visto por somente 200 pessoas, me renderam contatos com projetos bacanas no Brasil.

Também percebi a mentira e ilusão em que fui criada, é parecido com uma prisão em minha opinião. Por exemplo, decidi boicotar muitas marcas, mas principalmente grandes corporações que apesar de terem um discurso ECO recheado na prática sabemos que não é bem assim. Não consumo UNILEVER, e na boa eles estão por toda parte:  produtos de limpeza, banho, comida, tempero etc; também boicoto Nestlé, LINDT, Procter & Gamble, Coca- Cola, dentre outras marcas, consequentemente vou no supermercado e quase não tenho opção. Ter uma opção ultralimitada de produtos éticos nesses estabelecimentos é uma prisão, uma ditadura de alimentos como afirma Vandana Shiva, uma feminista ativista que me inspira e a quem eu admiro muito. Como resultado tentamos sempre ir ao mercado local e comprar comidas da estação, locais e orgânicas, o que tem sido muito difícil, mas estamos tentando.  No entanto, quantas pessoas fazem isso? Quantas são educadas e alertadas que aqueles produtos disponíveis estão destruindo diretamente nossa casa?

           Para lavar as roupas usamos um “ovo ecológico”, olha a fotinho de ilustração. Dura 220 lavagens eecoegg quando acabar o refil e só colocar mais as bolinhas de dentro, que acho que são tipo uma pasta de ervas prensadas. Não compramos mais sabão em pó ou amaciante e se precisarmos tirar uma mancha mais persistente, usamos um sabão ecológico.

 

Decidimos também fazer nossa horta, tem até um post no site sobre essa experiência maravilhosa e a melhor lição que aprendi foi: SIM EU POSSO! Dá trabalho viu?! Precisa de dedicação e amor.  Por isso vou aproveitar para convidá-los a refletir sobre essas perguntas inspiradas no livro “Sacred Economics”  do Charles Eisenstein: vocês acham que cada pessoa deveria ter sua própria hortinha ou deveríamos fazer uma coletiva, ou cada pessoa plantaria uma variedade e depois compartilharia com seus vizinhos?

Nossa próxima aventura já está sendo desenvolvida: um curso online para professores de escolas sobre mudanças climáticas ( escolhi esse tema pois a Conferência de Paris está chegando e quando falamos sobre esse assunto, falamos sobre sustabilidade). O Gustavo vai cuidar da parte técnica e eu do conteúdo e dos alunos. Estou super empolgada e vou precisar da ajuda de vocês para divulgar.

Tenho descoberto tantas possibilidades desde que cheguei e quanto mais pesquiso mais percebo o quanto vivemos uma ilusão e como fui treinada para não questionar. Mas nunca é tarde e estou lutando para viver em harmonia com a minha casa GAIA (Terra).

Esse post é um convite para vocês, meus amigos queridos, a iniciar essa transição em direção a uma vida mais condizente com as nossas crenças, valores e com o nosso lar. Bora lá? Minha primeira sugestão é um BOICOTE a essas grandes marcas que são desrespeitosas com os direitos da Terra e vendem ilusão para nós. Quem topa? Vai ser difícil, no entanto, você sentirá poderoso (a), pois a partir do momento que deixamos de consumir produtos de corporações que monopolizam e ditam o que consumimos, estamos dizendo que não concordamos com a maneira como eles fabricam seus produtos.  Também sei que tem tantas coisas que devemos fazer para ser mais coerentes com nosso discurso e pensamento, mas essa é uma das possibilidades e tendo em vista que comemos diariamente e consumimos outros produtos de limpeza e higiene, seria importante que esses fossem alinhados com nossos valores. Vandana Shiva nos incentiva a ser ativistas em nossas escolhas diárias.

Por que eu chamei esse post de “um convite à transição”? Pois além de existir um movimento chamado Transição do qual venho participando cada vez mais, estou passando por essa transição interna e estou me sentindo bem de estar acordando e o mais importante agindo. Quero convidá-lo para essa transição, sei que alguns de vocês já fazem sua parte, que ótimo! Estou abertíssima para aprender e me transformar ainda mais. Mas caso tenha nesse post, algo que não pratique e deseje iniciar, vai fundo, e vamos compartilhando, por aqui o que temos feito, esse é um convite para iniciarmos o NOSSO GRUPO DE TRANSIÇÃO, quem topa?

“transição é uma manifestação de ideia de que a ação local pode mudar o mundo, uma tentativa de criar um contexto saudável, amoroso e favorável em que as soluções práticas às necessidades mundiais podem florescer… é algo que só pode acontecer a partir do zero, impulsionado por pessoas comuns. É a peça do quebra-cabeça faltando”.

 Vamos ao boicote então?

Vamos ser a mudança que queremos ver no mundo! E dizer não para esses ditadores abaixo!

boycote

 

Links interessantes: 

http://transitionbrasil.ning.com/

https://www.transitionnetwork.org/

http://sacred-economics.com/

5 dos documentários que me fizeram refletir:

– The Internet’s Own Boy: The Story of Aaron Swartz  (Netflix);

-Zeitgeist (Netflix -todos da série- assisti só 2);

http://www.filmsforaction.org/watch/the_economics_of_happiness/  (Economics of Happiness)