Neste post vou falar um pouco de mim, sobre experiências quando eu mochilei e sobre uma pessoa que conheci quando eu estava na Índia na região do Monte Abu. Quando viajamos sem ser por pacotes turísticos, temos mais oportunidades de entrar em contato com essas pessoas que fogem “do padrão”. Aliás, conheci muitas dessas pessoas  na Índia como em nenhum outro lugar. Por exemplo, conheci dois jovens, que em uma semana iriam subir/descer o rio Gandhi de bote, segundo eles, essa viagem duraria 4 meses ou até um deles ficar muito doente. Juro, assim mesmo! Conheci um menino de Israel que tinha comprado uma moto e estava viajando pela Índia e Nepal, detalhe ele não tinha carteira de motorista. Conheci também um ciclista que pedalou do Sudeste Asiático até Monte Abu e continuaria pedalando pelo mundo, mas neste texto contarei sobre a Mirjam que pedalou da Holanda, seu país natal, até Monte Abu/Índia, em 8 meses!!!! WOW!

Nesta imagem, que pode ser encontrada em seu site http://cyclingdutchgirl.com/ você pode ver a rota e os países, que incluem o Oriente Médio, por qual ela pedalou SOZINHA.

Quando comecei a mochilar conheci pessoas que caminharam pelo Nepal e Tibet, outras que estavam viajando há 10 anos. Eu pensava “Ela são malucas” “eu jamais faria isso”, mas depois de digerir todas essas informações, me senti instigada a explorar nosso mundo e fiz coisas que a maioria das pessoas não faria, como por exemplo, viajar sozinha pela Ásia com um budget de $20/dia para transporte, acomodação, comida e atrações como o Taj Mahal. Passei alguns apuros, mas estou viva ;)! Sempre que pude aluguei/emprestei uma bicicleta, incluindo em Camboja, num calor de 40ºC, onde eu pedalava uns 50 km por dia. Nessas aventuras pude sentir o que o famoso velejador brasileiro Amyr Klink  escreveu em seu livro Mar sem Fim:

“Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”

 

Vira e mexe eu lembro da Mirjam, e como ela me disse que ficou doente e sem dinheiro na Capadócia na Turquia e que as pessoas a ajudaram. Também lembro quando ela me contou que viu o “real Tibet” que a China tenta erradicar impondo sua cultura, ou quando ela ficou na casa de uma indiana que a vestiu para uma cerimônia (não lembro qual), ela tem muitas histórias para contar.

Ano passado estava conversando com a Carla Moraes, outra colunista do Bike Ajuda e lendo o seu post de pessoas que a inspiraram, lembrei dessa holandesa que conheci e decidi procurar por seu site.  Cycling Dutch Girl (dutch são os holandeses), e descobri que ela estava no ártico, isso mesmo, olha a foto aí…

Imagina? Eu fico imaginando o contato que ela tem com as pessoas e com o nosso planeta/nossa casa. Quando eu caminho pelas montanhas, como já fiz 2 vezes de ficar 4 dias fazendo trilha, é uma conexão com o mundo que para mim é muito difícil de explicar em palavras, imagina ela! A maioria das pessoas colocaria tantas barreiras para entrar numa aventura dessa. Os padrões da nossa sociedade a taxariam como “louca”, eu diria livre!

São tantas barreiras que são diariamente colocadas pela maioria de nós para iniciar novos projetos. Por exemplo, pedalar para o trabalho de bike, muita gente com uma dificuldade já desiste e alguns até criticam quem opta por esse meio de transporte, e assim vamos vivendo … colocando obstáculos e mais obstáculos na realização de projetos sejam eles pequenos ou grandes.

Esse post é convite para refletirmos sobre essas barreiras que colocamos em projetos que queremos iniciar. Será que podemos passar por elas? Derrubá-las? Será que devemos desistir na primeira, segunda, terceira dificuldade? Qual é seu projeto e como você irá derrubar essas barreiras?

Quero convidá-los também a fazerem perguntas para essa ciclista, a Mirjam, estou tentando entrar em contato com ela para uma entrevista para um post para o BikeAjuda, e farei perguntas sugeridas por vocês! Faça sua pergunta no comentário do post no portal BikeAjuda. Participe!

Abaixo algumas fotos da Mirjam e se quiser mais fotos clique aqui https://www.flickr.com/photos/125821763@N02/albums