Faz 7 meses que criei meu site/blog para praticar a escrita, tenho aprendido muito, mas meu último aprendizado foi “aproveite o momento” para produzir um texto e o momento de hoje é “Dia Internacional da Mulher”. Também escreverei sobre a relação desse dia com a mitigação das mudanças climáticas.

Ontem participei novamente da Caminha pelo Clima em Londres, na qual mães, crianças, bebês, vovós e vovôs, cadeirantes, cachorros e ciclistas foram às ruas pela mitigação das Mudanças Climáticas que afeta a tudo e a todos. Durante esta manifestação refleti sobre o fato de que foi dessa maneira que muitas das coisas das quais usufruímos hoje foram conquistadas, por movimentos sociais indo às ruas exigindo ações políticas de seus representantes. Movimentos como direitos civis dos negros, dos homossexuais, do voto, independência, das mulheres, entre muitos outros.

No caso das mulheres ocidentais não faz muito tempo que conquistaram e começaram a exercer seus direitos civis, como: voto, trabalho, estudo e salários iguais.  Sendo brasileira só preciso pensar como eram as coisas no tempo da minha vó,  porém ainda existem estereótipos a serem derrubados, considero o Brasil um país predominantemente machista e moralista. Por exemplo, o caso da legalização do aborto ainda gera muita polêmica, infelizmente o aborto é considerado um ato “contra a vida”, no entanto do meu ponto de vista,  também é contra a vida não permitir que as mulheres que tem uma gravidez indesejada possam optar por sua interrupção  de forma segura e LEGAL, tendo que recorrer aos famosos “açougueiros” resultando em uma morte a cada 2 dias no Brasil e se sobreviverem correr o risco de serem condenadas até 4 anos de prisão.  Quantas crianças abandonadas existem no Brasil? Quantas crianças sofrem com maus tratos? Será que toda mulher nasceu para ser mãe?

Não sou contra a vida, pelo contrário, tenho orgulho de dizer que sou muito a favor da VIDA e luto pela mesma com todas as minhas forças. Vida é tudo ao nosso redor e o amor com que tratamos e nos relacionamos com tudo isso. Vida e amor também é nossa capacidade de entender que o ser-humano erra e merece uma segunda/terceira/quarta chance. A religião é a causa de diversos conflitos ao redor do mundo, muitos deles ligados às mulheres que na maioria das vezes são pobres: mulheres que são obrigadas a casar criança; mulheres que não podem interromper uma gravidez indesejada de forma legal; mulheres que não podem sair a noite com medo de serem estupradas, pois segundo as crenças de alguns, elas devem ficar em casa; mulheres que não podem estudar e/ou mostrar o corpo; mulheres que têm seus órgãos genitais mutilados para não sentirem prazer; mulheres homossexuais que são estupradas “para aprenderem a ser mulher”; meninas que são baleadas “Malala” por lutar pelo direito de estudar, a lista é enorme.

Já vencemos muitas batalhas, e existem muitas outras a serem vencidas, e você que se sente incomodado pela realidade de nossa sociedade pode e deve fazer parte dos movimentos sociais que mudaram e ainda estão mudando a realidade na qual nos encontramos. No caso das mudanças climáticas, que apesar de sempre terem existido,  estão SIM sendo aceleradas por atividades antrópicas e causando eventos climáticos extremos pelo mundo afora, é um movimento social que está crescendo e deveria ser abraçado por todos, pois todos moram no mesmo planeta.

Nestes dois movimentos sociais lutamos pela vida.  No final das contas, o mais importante é sermos ativistas no dia-a-dia, nas escolhas que fazemos a todos os momentos, por exemplo, quando não nos calamos ao vermos injustiça, quando ensinamos as nossas meninas a valorizar suas atitudes e ideias, e não só seu corpo e beleza, quando somos solidárias com outras mulheres e NÃO as JULGAMOS. Nossas escolhas como consumidores também são vitais para eliminar muita injustiça ao redor do mundo, é importante sabermos a procedência de nossos alimentos e outros bens de consumo, isso é sustentabilidade, o que inclui não ser conivente com o trabalho desumano.

Pelos protestos que participei aqui em Londres, percebo que todos podem e devem ser ativistas independente da idade, gênero e cor de pele. Você está insatisfeito com a realidade em que se encontra? Se sim, o que tem feito para intervir na mesma? Reflita e seja uma ativista no seu dia-a-dia!