Uma experiência pessoal que visa incentivar mais pessoas a tomarem essa atitude e se reconectar com o alimento.

Cheguei em Londres em março do ano passado, desde então entrei em contato com muitas pessoas e projetos bacanas que estão tentando fazer a diferença para viver de maneira mais sustentável. Isso nos incentivou, eu e o Gustavo, a mudarmos muitos de nossos hábitos para vivermos de acordo com nossos valores, não tem sido fácil, porém é gratificante e é o único caminho para vivermos coerentemente.

Outra coisa que percebi desde que cheguei aqui é que apesar de gostar da minha rotina maluca em São Paulo, eu era tão ocupada que acabava não percebendo e consequentemente não entrando em contato com os esses projetos bacanas que estavam acontecendo ao meu redor, ou seja, tive que atravessar o oceano atlântico para fazer essa conexão! Isso não faz sentido, ou será que faz? Eu fico pensando, o porquê as grandes corporações facilitariam a minha percepção de entender que eles estão exatamente na direção oposta desse movimento. Elas não têm esse interesse, por isso precisamos ir atrás!

Enfim, uma de nossas experiências aqui foi plantar uma horta de varanda e nos reconectar com nosso alimento. Foi bem mais fácil do que imaginei e quero compartilhar aqui os passos para quem sabe incentivá-lo a fazer o mesmo.  Sempre quis ter uma horta, mas sempre adiava, esperando o dia que eu tivesse minha casa, meu terreno etc, as desculpas eram inúmeras, até que decidir FAZER “aqui e agora”.

Primeiramente, gostaria de convidá-lo a fazer uma reflexão sobre a SEMENTE, visualize uma semente ou segurSEEDABOBRINHAe uma semente, pode ser de qualquer fruta ou vegetal, está visualizando ou segurando? Concentre-se… nessa visualização imagine toda a informação genética contida na mesma. Agora imagine o seu processo de germinação, o aparecimento da primeira folha/galho, o seu crescimento, a aparição das primeiras flores/frutos/vegetais, o amadurecimento até a colheita. Visualizou? Não é fantástico? Agora pense em quantos frutos/vegetais cada planta nos provém e quantas sementes têm em cada planta. Mentalizou? É incrível!  Agora se pergunte como é possível ter fome no mundo?

Com essa pergunta deixo o convite para assistir um documentário de 30minutos com informações valiosas sobre a semente. Basta clicar no link: http://tinyurl.com/plsh97m

Vamos à parte prática. Bom eu sou bem inexperiente também mas plantei e deu certo e quero compartilhar para incentivar para que você também embarque nessa aventura muito gratificante.

Como eu comecei?

Eu decidi o que queria plantar, fiz uma lista. Com essa lista pronta, pesquisei o que cresceria bem em vasos e quanto espaço era necessário ( nos vasos e na varanda) . Até que finalmente cheguei a lista final: abobrinha, cenoura, rabanete, tomate, cebola e batata.

Com a lista na mão, fui às compras. Comprei tudo orgânico, adubo e fertilizante, e olha em Londres não foi tão fácil de achar, a não ser pela internet, pois apesar de nos supermercados eles venderem muito adubo/terra a maioria é com agrotóxico/químicas. No Brasil teria ido a casa/sítio de um amigo(a) para pegar um pouco de terra. Se tiver a oportunidade, faça uma composteira, reduzirá seus resíduos sólidos e terá o melhor fertilizante e adubo de todos.

Uma dica, eu cometi o erro de comprar as sementes, que apesar de serem orgânicas acabei descobrindo  durante a jornada de nossa horta que poderia ter plantado as sementes dos alimentos orgânicos que consumíamos, pois testamos depois, por curiosidade, e deu certo. A batata não encontrei “sementes” para comprar, então descobri na internet que se deixarmos ela por um tempo, umas sementinhas brotam ao seu redor, você já percebeu isso?  Eu e o Gu, plantamos a batata inteira depois que a sementinhas tinham brotado, não sei se é o jeito certo, mas funcionou e ficamos impressionados com suas folhas e flores.

Com a terra adubada e com as sementes e vasos na mão, procurei alguns vídeos e textos explicativos e plantei. No começo dá muita ansiedade de vê-las brotarem, masprepare sua paciência porque demora um pouquinho, a não ser o rabanete. Os outros  demoraram um pouco mais, porém acredito que no Brasil, será ainda mais rápido pelo clima mais quente.

Outra dica, assisti um vídeo muito bem cotado para plantar cenouras, e o senhor despejou as sementes na terra: não faça isso! Elas, obviamente, precisam de espaço para crescer. O que fizemos? Compramos uma mini estufa, que pode ser feita em casa também, e plantamos semente por semente para depois transplantarmos para um vaso adequado.

Bom esses foram nossos primeiros passos. Os seguintes foram regá-las diariamente e primeiramente com um borrifador que é bem fácil de achar, e depois um regador, daqueles que “espalha a água”, não sei como se diz, precisa ser delicado. Cada planta precisa de uma quantidade de água e é possível achar essas informações na internet. Enfim, acompanhamos o crescimento de cada vegetal com muita alegria, e no final também precisei pesquisar sobre a hora certa de colher.

Ah, nosso pepino teve piolho, isso mesmo piolho, deixamos a planta longe das outras, uma praga, mas não utilizamos nada tóxico, descobrimos na internet que tínhamos que borrifar vinagre e tirá-los com a mão. Mas de tudo que acabamos plantando (cebola, rabanete, cenoura, abobrinha, batata, tomate, pimentão e morangos) foi o único que ficou doente.

Olha só uma de nossas colheitas!

 

 

 

colheitaroasted

“Há quatro meses a Carol sugeriu de fazermos uma horta, mas como moramos em apartamento, teríamos que plantar em vasos na nossa sacada. A primeira coisa que me veio à cabeça é que daria o maior trabalho, que faria a maior sujeira e que teríamos que dedicar um tempão durante a semana para cuidar das plantas, e no final das contas iria sobrar pra mim. Mas os argumentos dela eram fortes. Estaríamos plantando nossa própria comida, nos reconectaríamos com nosso alimento e comeríamos os vegetais frescos direto de nossa horta. Então resolvi apoia-la nessa missão, e ver no que ia dar. No começo ficava mais observando a Carol plantando e cuidando delas diariamente. Depois de algum tempo, elas cresceram, e começaram a aparecer às primeiras flores e logo em seguida os frutos. Fiquei fascinado como de dentro de uma flor sai os legumes que eu amo comer e foi ai que                             

comecei a me interessar e passei a regá-las diariamente. Percebi o quanto sou desconectado da vida natural, ao ponto de não saber como minha comida cresce. Parece tão bobo e óbvio de como a nossa comida cresce, mas quando você planta em casa, parece mágico, um milagre da terra. Acabei criando tanto amor pelas plantas, que quando fomos colher os primeiros frutos de nossa horta, fiquei com dó de matá-las, pois tinha criado amor por elas. É muito estranho pra mim, de como antes nunca tinha pensado nisso, e agora é tão fascinante. Agradeço muito a Carol por ter mostrado como é fácil, bonito e gostoso ter a nossa própria horta, mesmo que seja em um apartamento.” Gustavo Lendimuth

Vou também deixar um link, que justo hoje quando decidi escrever esse post apareceu na minha timeline no Facebook, obrigada universo! Não assisti e só escanei o texto mas tenho certeza que pode ser útil http://tinyurl.com/o6bzeg8

Quero também deixar o convite, para você, que tem mais experiência, compartilhar conosco suas dicas preciosas.

Bora plantar pessoal? É só começar!