Há alguns meses li uma entrevista com um sociólogo e filósofo francês, Edgar Morin, e me identifiquei com suas ideias, pois ouço sempre “é preciso investir mais em educação”, mas pouco se fala numa reformulação no curso de Pedagogia, por exemplo.  A maioria dos futuros profissionais do Brasil e do mundo passarão muitas horas de seus dias com pedagogos, e qual a importância dada a esses profissionais que participam na formação dos futuros cidadãos brasileiros?

Para Morin a revolução do sistema educacional brasileiro tem que passar pela reforma na formação dos seus educadores. Sendo brasileira, concordo plenamente com esta colocação, no entanto, será que é só no Brasil que o curso de formação de professores precisa ser reformulado? Tenho conversado com muitos professores aqui na Inglaterra, e acredito que, aqui também, isso precise acontecer e provavelmente no mundo inteiro, já que não observamos melhoras na qualidade de vida do planeta e consequentemente na nossa, enquanto humanos.

Na verdade há anos estamos observando o esgotamento dos recursos naturais e degradação de todos os seres que habitam este planeta.  E o que tem sido feito? Muitos irão argumentar que têm projetos em andamento e que estão fazendo a diferença. Sim têm. Mas será que estes estão sendo adotados nas proporções e velocidade necessária? Não! Como mencionei no meu primeiro post continua-se mantendo o insustentável em prol de interesses imediatos.

O sociólogo e filósofo francês acredita e eu endosso, que ao contrário do que acontece na natureza, o modelo de ensino separa artificialmente as áreas de conhecimento. Por esta razão, é necessária e urgente a reformulação do curso de Pedagogia para que este curso que prepara futuros professores, seja mais inspirado na natureza, onde não existe a separação das disciplinas, desta maneira, estaríamos mais preparados para construir um modelo de vida sustentável. Morin afirma que a figura do professor é determinante para a consolidação de um modelo “ideal” de educação e de mundo.

Está afirmação pode parecer óbvia, mas esta “obviedade” não é refletida no atual estado do planeta. Precisamos ser coerentes e alinhar nossa fala com nossos atos, exigindo investimentos nessa carreira e profissão tão nobre quanto a do professor, para que eles tenham condições e energia para serem inspiradores, despertando em seus alunos a vontade de redesenhar um modelo de vida mais sustentável.

http://fronteiras.com/canalfronteiras/entrevistas/?16%2C263  (link da entrevista na qual este post foi inspirado)

http://unesdoc.unesco.org/images/0011/001177/117740eo.pdf (link do livro integral “Seven complex lessons in education for the future” disponível na íntegra somente em inglês, no entanto é possível encontrar resenhas do livro na internet “Os sete saberes necessários a educação do futuro”)